Durante as madrugadas corre uma corrente gélida de ar que corta-me os pelos do corpo, rasgando o que sobrou de pele. Ainda penetra em meus pulmões congelando toda a vida que nele resta. Sua missão é entregar-me uma mensagem. Acalme-se, a mensagem foi entregue em mãos. Ao abrir o envelope deparei-me com uma carta que descrevia um afeto jamais alcançado: dois jovens desfrutando de um companheirismo e primor livre de malícias. Ela o confortava de todas as decepções por ele vividas, ele a protegia de todos os perigos que a rondasse. Uma harmonia tão perfeita quanto a dos cosmos. E, o fato de suas vidas serem vividas completamente em oposição, assustou-me. Enquanto ele dormia, ela trabalhava, enquanto ela descansava, ele vigiava. Porém a conexão entre eles intrigava-me bastante: como alguém escreveu essa história, se para conversar com ela precisaria estar distante dele e vice versa? Cheguei ao rodapé da folha onde estava confesso o segredo de Ana e Eduardo: a figura dela inspirava nele o que ele tinha de melhor e o induzia a escrever. Ela, no entanto, só precisava pensar nele que todo o manuscrito passava em sua mente. Ana recebeu de Eduardo a mensagem que ele enviou. Eu recebi de Ana o pensamento que os conectou.
domingo, 4 de abril de 2010
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Nossa...
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