sábado, 20 de fevereiro de 2010

“Eu lembro do nosso laranja em comic sans e verdana”

Duas fontes distintas, uma só cor. Foi assim que os enxerguei esta tarde onde chovia e fazia sol. Está certo que isso foi há algum tempo, mas ao destrinchar este romance pela nonagésima vez foi que os defini como pessoas de gostos e sabores opostos, porém pertencentes a uma mesma cor. Assim como o sol que se encontrava com a chuva, o frio dele se encostou com o calor que a ela pertencia. Um furacão se formou escondendo o arco-íris que lá na frente decerto viria. Hoje, as cores mudaram, ele passou para o marrom, ela para o azul, e não adianta fazê-lo, pois o comic sans e verdana ainda escrevem re-acendendo as cinzas do laranja que um dia aos dois pertenceu.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Máquina do Tempo

Parece brincadeira, quanto mais você pensa naquele alguém, mais vergonha disso você sente. Quanto mais vergonha você sente, mais ele aparece para você. É quando você quer que ninguém perceba o que passava na sua mente segundos antes. É quando você se pergunta se valeu à pena, se foi e é real. É quando você recorda quantas letras de música escreveu para ele, para quantos contos ele serviu de inspiração, se acabou mesmo e se terá uma nova chance. Você para e analisa toda a história que escreveram no mundo, parece que foi em outra vida, eu sei. E aquele sorriso de ‘nossa, já se foi um ano’ é uma máquina do tempo que leva os dois a esquecerem todo o depois que aconteceu desde o começo. É hora de começar de novo. O botão de start está lá só esperando por vocês. O certo seria um restart uma vez que essa história já aconteceu, mas pra vocês a vida subtraiu o ‘re’, subtraiu as brigas e desentendimentos que estavam contidos nele, as mágoas que iniciavam no ‘r’ e acabavam no ‘e’. Tomem coragem, o conto de fadas pode ser escrito no lugar da tragédia. É só deixar o tempo voltar.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

É Cagando Que Se Pensa

Enquanto você se esforça da cintura para baixo para expelir seus restos alimentares, seu cérebro se ocupa em fazer você refletir sobre o pingo de chuva que caiu lá fora. Como isso aconteceu, porquê, e as coisas começam a fazer sentido. Ah, e elas fazem. Porém, o mais importante durante esse ato é que quando você sobe as calças, você veste a ideia e a mascara, deixando-a no subconsciente do ‘depois eu analiso’, ao dar a descarga, você a deixa ir embora, mesmo sabendo que ela existiu, e ao lavar as mãos rompe todos os laços que um dia poderia levá-lo a repensá-la, qualificando-a como qualquer outra ideia de qualquer outro dia, não levando em conta nem se foi peixe, boi, ovos ou galinha.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Felicidade.

Por esses dias fui questionada pelo meu ego sobre felicidade. Ele me perguntou se eu já a havia encontrado. A resposta veio quase que pronta brotando do meu diafragma, subindo pela traqueia, batendo nas cordas vocais e explodindo pela boca. Ela parou por algum lugar ali que eu não consegui identificar ao certo. Isso me levou a pensar por alguns segundos o que era de verdade aquele sentimento, ou sei lá como queira definir. Passou pela minha cabeça que muitos tentaram fazê-lo, mas poucos com sucesso. Outros ainda ficaram pelo meio da estrada deixando-nos cada vez mais confusos. Quando foi me levantada essa questão, tive que rever todos os meus conceitos sobre vida, amigos, momentos, família, alegria e amor para encontrar a tal da felicidade.

Ao pensar sobre vida me vieram as regras que foram obedecidas, as metas que me foram estabelecidas, os objetivos a serem alcançados e as mudanças que eu me proporcionei, e com isso me veio o motivo pelo qual devo realizar tudo isso antes de partir: A sensação de dever cumprido, a satisfação de saber que apesar do empurrãozinho que meus pais me deram, quem escreveu do meio pra frente fui eu mesma.

Então parti pro próximo ponto, os amigos. Por que todos tem aqueles a quem recorrem quando passam por um momento mais doloroso? Por que não apenas se apegar a mãe, pai e irmãos? Lembrei então de uma briga que tive com minha mãe, lembrei que me vi cansada de toda a situação que me rondava. Corri para a casa de uma amiga, e foi lá que depois de desabafar, contar o que havia acontecido, ouvir uns certos conselhos, umas palavras de conforto, voltei a sorrir novamente e percebi que todo navio precisa de uma âncora que seja jogada com toda a força e esperança, como solução desesperada quando seu naufrágio está perto.

Ao passar pelos amigos, foquei nas risadas que demos juntos, bêbados ou não. Sei que foram risadas verdadeiras porque além de achar o motivo realmente engraçado, elas vieram do fundo das entranhas, podia até não fazer nenhum barulho, mas a gente ria. Fechávamos os olhos para aproveitar aquele último suspiro e transformá-lo em riso. E sabíamos que ambos estávamos rindo. Naquela escuridão dentro de mim, onde só havia forças para sorrir, o tempo parecia congelar e em apenas uma coisa conseguia pensar: caramba, isso é muito bom, nunca vou esquecer desse momento. E era verdade, o mundo podia acabar no segundo seguinte, mas eu não conseguiria parar de rir.

Continuei seguindo com minha análise. Saber que existe aquela família de comercial de margarina sempre me assustou. Onde será que se esconde a família que não tem problemas ou desentendimentos, que os pais entendem e conversam com os filhos? Que os levam pra escola num dia sempre ensolarado e que não faz calor? A família que o único conflito é saber quem será o próximo a desfrutar do maravilhoso sabor da margarina mágica que une todo mundo. Onde moram? Minha mãe precisa de umas aulas de culinária e moda, assim como meu irmão de umas sobre respeito e bons modos e meu pai sobre como agir com meu namorado ou meu boletim ao término do trimestre. Basta-me lembrar que apesar das nossas diferenças, somos nós mesmos que nos apoiamos quando algo difícil acontece, e é ai que habita a nossa união.

Ao superarmos a dor, todos juntos, relembramos coisas que só passamos com a família, que nem mesmo seu maior e melhor amigo entenderia se você contasse. Coisas que na época talvez não tivesse tanta importância, como aquele segredo de infância que minha mãe uma vez contou na frente das minhas amigas que me fez procurar o buraco mais perto e me fez querer passar o resto da vida ali. Mas agora nós rimos juntas dessa garfe antes cometida por ela e que hoje só traz alegria. Ou aquela queda do velocípede que meu irmão levou e que não o fez parar de chorar por semanas. Só juntos podemos desfrutar da alegre sensação de nostalgia.

Por fim, segui para o amor, todos os diferentes tipos de amor. Aquele meigo e fraternal para com os nossos pais que aprendemos a conviver desde que nascemos, aquele que nasce e cresce junto com o ódio, numa relação de carinho e ciúmes com nossos irmãos, aquele de conforto e segurança que sentimos pelos nossos avós, aquele aventureiro e louco que nos une aos nossos amigos e aquele que denominamos paixão, que sentimos por uma pessoa totalmente desconhecida, porém estranhamente querida. A pessoa na qual depositamos nossos sonhos, expectativas e desejos. Nosso futuro.

Ainda assim não havia encontrado a resposta para a pergunta que me foi feita. Analisei toda uma vida de experiências, todo um coração de sentimentos e nada me foi esclarecido. Passada uma hora de reflexão, meu ego retorna concordando: toda essa conclusão a que você chegou não deixa de estar certa. Mas apenas não se esqueça de uma coisa, Ana, prazos são sim importantes, porém não deixe que façam de sua vida uma sucessão de tarefas à serem cumpridas, aproveite cada momento alegre que tiver com sua família e amigos que desse modo, você não desperdiçará sua vida. A felicidade está escondida em cada segundo das coisas que você faz com amor.