domingo, 25 de abril de 2010

Desejo a você...

Desejo a você toda a satisfação do mundo
Uma lasanha quatro queijos seguida de uma coca-cola de vidro
Um domingo acordado às oito horas
Um mergulho seguido de um cochilo

Desejo a você toda a compreensão do mundo
Um copo de água gelada seguido do cessar do teu choro
Um presente quando cometeres um erro
Um abraço apertado seguido de um sorriso

Desejo a você toda a calma do mundo
Um suco de laranja seguido de um banho de 40 minutos
Uma caminhada para o trabalho
Um passeio no parque seguido de um pôr do sol

Desejo a você todo o encanto do mundo
Um fondue de chocolate seguido de um bolo
Uma princesa no seu cavalo branco
Uma noite estrelada seguida de um vinho

Desejo a você toda a paciência do mundo
Um Boeuf Bourguignon para o jantar seguido de ‘O Vento Levou’
Uma casa de madeira a ser levantada no campo
Uma paixão de menino seguida de um beijo

Desejo a você todo o entusiasmo do mundo
Uma sobremesa antes do jantar seguida do almoço
Um brinquedo novo
Uma festa seguida de outra festa

Por fim, desejo a você toda a saudade do mundo
A macarronada da sua mãe seguida de um chimarrão bem quente
Aquele filme de guerra
E nossa despedida seguida das tuas lágrimas

terça-feira, 20 de abril de 2010

Esteja preparado.

Corte suas unhas, lixe-as.
Tome um banho de cachoeira, siga aquela trilha.
Olhe pro sol escaldante que lhe seca
Deixe-o queimar sua pele, penetrar em sua mente.

Ouça o grito dos pássaros, os das árvores mais altas.
Penteei lentamente seu cabelo molhado, não espere que seque.
Corra montanha abaixo, sinta o vento e voe.
Ganhe sua liberdade tão prometida e aguardada

Gargareje o riacho mais próximo, sinta-o em sua boca.
Sacei sua sede incontrolável
Deite às margens e visite os lugares mais distantes
Converse com cada local e sorria ao se despedir.

Pinte seu rosto em guerra, mostre à que veio.
Segure firme o galho mais vulnerável, ele te salvará.
Desafie um leão, o mais forte de todos.
Mate-o. Devore-o.

Confie nos inconfiáveis
Converse com os inconversáveis
Corte suas unhas, lixe-as.
Pinte seu rosto em guerra, mostre à que veio.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Norte e Sul.

O nariz é bem característico de lá. Aqui, os olhos marcam nossa terra. O ‘Romeu e Julieta’ moderno não teria o amor em foco. Irônico, não? Uma estória a qual se baseia no amor, não tê-lo como personagem principal é no mínimo controversa. Esta, porém, teria Capuletos e Montequios com suas opostas semelhanças em jogo. Ambas com talentos para a arte na forma de desenhos, música, poesia, poemas... Uma grande raiz os une à cultura, e é nessa cultura que se fundamenta os princípios de cada integrante dessas famílias. Os mesmos temas são abordados nas artes veronianas, seguindo ramos jamais explorados. Porém, a cultura de cada casa entra em evidência ao produzir suas artes, fazendo-as, assim, distantes e inimigas. A arena os espera, briguem por suas convicções, mas não esqueçam, sulistas e nortistas, que a mesma mãe os embala à noite.

domingo, 4 de abril de 2010

Eduardo e a Saudade

Durante as madrugadas corre uma corrente gélida de ar que corta-me os pelos do corpo, rasgando o que sobrou de pele. Ainda penetra em meus pulmões congelando toda a vida que nele resta. Sua missão é entregar-me uma mensagem. Acalme-se, a mensagem foi entregue em mãos. Ao abrir o envelope deparei-me com uma carta que descrevia um afeto jamais alcançado: dois jovens desfrutando de um companheirismo e primor livre de malícias. Ela o confortava de todas as decepções por ele vividas, ele a protegia de todos os perigos que a rondasse. Uma harmonia tão perfeita quanto a dos cosmos. E, o fato de suas vidas serem vividas completamente em oposição, assustou-me. Enquanto ele dormia, ela trabalhava, enquanto ela descansava, ele vigiava. Porém a conexão entre eles intrigava-me bastante: como alguém escreveu essa história, se para conversar com ela precisaria estar distante dele e vice versa? Cheguei ao rodapé da folha onde estava confesso o segredo de Ana e Eduardo: a figura dela inspirava nele o que ele tinha de melhor e o induzia a escrever. Ela, no entanto, só precisava pensar nele que todo o manuscrito passava em sua mente. Ana recebeu de Eduardo a mensagem que ele enviou. Eu recebi de Ana o pensamento que os conectou.