quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Felicidade.

Por esses dias fui questionada pelo meu ego sobre felicidade. Ele me perguntou se eu já a havia encontrado. A resposta veio quase que pronta brotando do meu diafragma, subindo pela traqueia, batendo nas cordas vocais e explodindo pela boca. Ela parou por algum lugar ali que eu não consegui identificar ao certo. Isso me levou a pensar por alguns segundos o que era de verdade aquele sentimento, ou sei lá como queira definir. Passou pela minha cabeça que muitos tentaram fazê-lo, mas poucos com sucesso. Outros ainda ficaram pelo meio da estrada deixando-nos cada vez mais confusos. Quando foi me levantada essa questão, tive que rever todos os meus conceitos sobre vida, amigos, momentos, família, alegria e amor para encontrar a tal da felicidade.

Ao pensar sobre vida me vieram as regras que foram obedecidas, as metas que me foram estabelecidas, os objetivos a serem alcançados e as mudanças que eu me proporcionei, e com isso me veio o motivo pelo qual devo realizar tudo isso antes de partir: A sensação de dever cumprido, a satisfação de saber que apesar do empurrãozinho que meus pais me deram, quem escreveu do meio pra frente fui eu mesma.

Então parti pro próximo ponto, os amigos. Por que todos tem aqueles a quem recorrem quando passam por um momento mais doloroso? Por que não apenas se apegar a mãe, pai e irmãos? Lembrei então de uma briga que tive com minha mãe, lembrei que me vi cansada de toda a situação que me rondava. Corri para a casa de uma amiga, e foi lá que depois de desabafar, contar o que havia acontecido, ouvir uns certos conselhos, umas palavras de conforto, voltei a sorrir novamente e percebi que todo navio precisa de uma âncora que seja jogada com toda a força e esperança, como solução desesperada quando seu naufrágio está perto.

Ao passar pelos amigos, foquei nas risadas que demos juntos, bêbados ou não. Sei que foram risadas verdadeiras porque além de achar o motivo realmente engraçado, elas vieram do fundo das entranhas, podia até não fazer nenhum barulho, mas a gente ria. Fechávamos os olhos para aproveitar aquele último suspiro e transformá-lo em riso. E sabíamos que ambos estávamos rindo. Naquela escuridão dentro de mim, onde só havia forças para sorrir, o tempo parecia congelar e em apenas uma coisa conseguia pensar: caramba, isso é muito bom, nunca vou esquecer desse momento. E era verdade, o mundo podia acabar no segundo seguinte, mas eu não conseguiria parar de rir.

Continuei seguindo com minha análise. Saber que existe aquela família de comercial de margarina sempre me assustou. Onde será que se esconde a família que não tem problemas ou desentendimentos, que os pais entendem e conversam com os filhos? Que os levam pra escola num dia sempre ensolarado e que não faz calor? A família que o único conflito é saber quem será o próximo a desfrutar do maravilhoso sabor da margarina mágica que une todo mundo. Onde moram? Minha mãe precisa de umas aulas de culinária e moda, assim como meu irmão de umas sobre respeito e bons modos e meu pai sobre como agir com meu namorado ou meu boletim ao término do trimestre. Basta-me lembrar que apesar das nossas diferenças, somos nós mesmos que nos apoiamos quando algo difícil acontece, e é ai que habita a nossa união.

Ao superarmos a dor, todos juntos, relembramos coisas que só passamos com a família, que nem mesmo seu maior e melhor amigo entenderia se você contasse. Coisas que na época talvez não tivesse tanta importância, como aquele segredo de infância que minha mãe uma vez contou na frente das minhas amigas que me fez procurar o buraco mais perto e me fez querer passar o resto da vida ali. Mas agora nós rimos juntas dessa garfe antes cometida por ela e que hoje só traz alegria. Ou aquela queda do velocípede que meu irmão levou e que não o fez parar de chorar por semanas. Só juntos podemos desfrutar da alegre sensação de nostalgia.

Por fim, segui para o amor, todos os diferentes tipos de amor. Aquele meigo e fraternal para com os nossos pais que aprendemos a conviver desde que nascemos, aquele que nasce e cresce junto com o ódio, numa relação de carinho e ciúmes com nossos irmãos, aquele de conforto e segurança que sentimos pelos nossos avós, aquele aventureiro e louco que nos une aos nossos amigos e aquele que denominamos paixão, que sentimos por uma pessoa totalmente desconhecida, porém estranhamente querida. A pessoa na qual depositamos nossos sonhos, expectativas e desejos. Nosso futuro.

Ainda assim não havia encontrado a resposta para a pergunta que me foi feita. Analisei toda uma vida de experiências, todo um coração de sentimentos e nada me foi esclarecido. Passada uma hora de reflexão, meu ego retorna concordando: toda essa conclusão a que você chegou não deixa de estar certa. Mas apenas não se esqueça de uma coisa, Ana, prazos são sim importantes, porém não deixe que façam de sua vida uma sucessão de tarefas à serem cumpridas, aproveite cada momento alegre que tiver com sua família e amigos que desse modo, você não desperdiçará sua vida. A felicidade está escondida em cada segundo das coisas que você faz com amor.

3 comentários:

  1. mais uma correia; sara3 de fevereiro de 2010 às 23:48

    orgulho por tê-la em minha vida, no meu show
    orgulho por perceber a veia boa para a escrita
    orgulho por me fazer sentir mais normal na família
    continue causando orgulho

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  2. aaai quii liindo, minha priima geente, minha priima!!

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  3. Muito lindo mesmo.
    Mostra mesmo que a felicidade pode estar nas coisas que menos esperamos.
    E dependendo muito de amar e ser amado, tbm.
    Keep up like that!

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